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Sonia Guggisberg,1964. Brazilian with Swiss origins, works in São Paulo. PhD in Semiotics and Communication from PUCSP and Master in Fine Arts she works as artist, filmaker and researcher, participating in solo and group shows since the 1990s. This was the starting point to a reflection on social enclosure and the redesign of identities. Her production has been seen in 18 countries. She was awarded with the 2015 Brazil Photography Prize in the Essay; Best film, Independent production in 2017 MobiFilm and was invited to show her Migrant Dream documentary collection at ACNUR International Film Festival to celebrate the
world refugee day, 2017.

Espera

14″38′ minutos. 2018
Filmado em Atenas em novembro de 2017.

A travessia que o refugiado faz ao entrar num barco e se lançar ao mar não é somente uma travessia geográfica mas uma travessia de vida onde é necessário abandonar tudo que se construiu, todas convicções, planos e sonhos. O que se sabe é que após a travessia pelo mar a luta não é só externa mas interna também.
Neste film temos uma série de depoimentos captados dentro de campos de Refugiados. O assunto gira em torno de histórias pessoais de cada um e o tempo da espera. São testemunhos bastante complexos e estes serão intercalados pelas cenas de vestígios de suas travessias, ou seja,  o mar, o cemitérios de barcos, o farol da Ilha de Lesbos e os barcos naufragados em volta, restos de coletes, acampamentos provisórios em ruínas, tudo captado na Ilha Lesbos. Enquanto isso barcos da marinha circulam em volta.
Ao mesmo tempo este bloco mostra também o trabalho de uma ONG organizada por um Grego desempregado a três anos que busca fazer algo pra trazer alegria á pessoas. Ele também dá seu depoimento de vida e coloca música no Campo.

Skaramanga Dream | 2017

Filme Documentário 9″32′

Filmado em Ioanninna e em Atenas em novembro de 2016. Com imagens captadas dentro dos campos de refugiados Kastikas (Ioanninna no norte da Grécia) e Skaramanga (Atenas), este filme mostra o estado de suspensão que se apresenta dentro dos campos. Em locais afastados dos centros urbanos e mantidos com fundos da União Europeia, os refugiados se encontram confinados em containers ou barracas. Vivem o luto de suas famílias, a falta de suas casas e amigos, a ausência de nacionalidade e de documentos, a escassez financeira e a impossibilidade de um horizonte novo a curto prazo. O filme exibe pessoas contando sobre seus sonhos e desenhando seus trajetos de onde vieram. Falam de suas experiências e apontam para onde desejam ir. As cenas são captadas com som direto e intercaladas com músicas trazidas de seus países de origem.

With images captured inside the Kastikas and Skaramanga refugee camps in Greece, this film shows the state of suspension that is present inside the camps.

 

Migrant Dream | 2016

Filme Documentário 9″58′

Filmado em Malta e Lampedusa em outubro de 2015.
Neste vídeo documental as captações feitas na ilha de Lampedusa interrogam a realidade e os espaços vazios acompanhantes. É um mapa visual e sonoro que mostra um pouco da realidade sobre a onda de migrações na Europa. “Sonho Migrante” apresenta uma perspectiva real porém humanística que dá a oportunidade de ouvir as vozes e os sonhos do refugiado. Imagens do cemitério de barcos dos migrantes em Lampedusa se apresentam como vestígios dos sonhos. As cenas da água, mostram o trajeto percorrido pelos barcos entrando no porto de Lampedusa. A fluidez é intercalada com narrativas locais onde o equilíbrio entre o afundar e o flutuar transmite a tensão entre o medo e esperança. Por fim, se mostra o sentido humano e este emerge para salientar uma questão política. Neste trabalho não é somente a questão das migrações que se mostra, mas de pessoas que mostram as suas vozes, falam de seus sonhos e de sua intimidade.

In Malta and Lampedusa, the film shows African migrants talking about their dreams and the old boats used for the crossing.

Meeting Point | 2016

Filme Documentário  9″

Filmado no centro de Atenas, o filme mostra a cena de um senhor grego tocando e cantando uma música tradicional grega intercalada com o depoimento de um refugiado afegão que descreve, em plena exaustão, como está sua vida após a travessia e o fechamento da fronteira.

At Vitoria square in downtown Athens, the film shows a greek old man playing and singing a traditional greek song. The scene is interspersed with the testimonial of an exhausted afghan refugee who describes his life after the crossing and the closing border.

 

FIM DE SONHO | LAST DREAM | 2013

Fim de Sonho é um trabalho cujas imagens também foram captadas em uma única demolição e que apresenta um caso específico: o fim de uma história familiar. Com cenas filmadas na demolição de galpões que fizeram parte da história de minha família, apresenta uma situação pessoal, porém comum quando se trata de uma cidade como São Paulo. As imagens em vídeo focalizam o movimento da fumaça, do pó provocado pelas quedas, o resto do resto. O pó é o último fragmento das quedas, que flutua pelo ar até que termine. É uma passagem que mostra o fim, literalmente, não só de mais um imóvel na cidade, mas do desmanche da história que foi construída ali. São galpões que marcaram a ascensão financeira e a quebra da família com a morte do pai, em 1974. Depois de sua morte, os galpões, que sustentaram a família e representaram a segurança e a presença de um pai, deixam de existir. A demolição desses galpões põe fim a essa história, e definitivamente não deixa nada mais além de lembranças.
A sonorização de Fim de Sonho foi feita a partir de sons de demolição, porém, ao fundo, há “uma voz de criança”, ou seja, a voz de minha irmã ou de meu irmão, gravadas por meu pai antes de sua morte, reproduzem músicas dos anos 1960 cantadas em casa. Os sons das quedas das paredes e da estrutura do prédio são apresentados junto com uma singela voz de criança que toca insistentemente seu violão, evocando a quebra dos sonhos infantis que definitivamente terminaram.
Bernd Fichtner, em um texto escrito sobre este trabalho de pesquisa, diz:

[…] são obras, não apresentam algo comum entre objetos, fenômenos e processos, são obras que buscam a qualidade de perceber, de ver, de olhar. São como metáforas que criam e constroem relações.

A metáfora da obra de arte funciona, aqui, como uma “imaginação modelante”. Num processo de espelhamento, obra x público, as relações são necessárias para a compreensão da obra de arte e para a compreensão de nós mesmos como sujeitos nesse diálogo.
Precisamente aqui a arte é um espelho, não por refletir o que lhe é externo, mas por apresentar uma experiência de um modo de ver, uma experiência que se torna nossa, algo que, sem este espelho, ignoraríamos. Apresenta uma possibilidade para nós nos vermos a nós próprios e, numa reflexão ampliada, num contexto social. A potência da arte consiste, portanto, na sua capacidade de representar e materializar modos de ver e sentir a realidade (FICHTNER, 2011)19.

http://www.saccaro.com.br/blog/author/admin/page/15/

Subsolo | Subsoil | 2013

Filme Documentário 25″31′
Local: Bienal de Arquitetura de São Paulo, Centro Cultural São Paulo, SP.
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Sonia Guggisberg apresenta o documentário “Subsolo”, sobre a obra interrompida nos anos 1970 abaixo da Avenida Paulista. Neste trabalho, Sonia procura mostrar que narrativas enterradas nunca terminam mesmo quando relegadas à invisibilidade. O documentário tem depoimentos de Boris Casoy (porta voz do prefeito da cidade na época), do arquiteto Nadir Mezerani (que a partir da pesquisa da artista redesenhou o projeto), do urbanista Celso Franco, entre outros. Sobre o documentário, o antropólogo francês Jacques Leenhardt escreveu: “a ideia de urbanismo subterrâneo permaneceu suspensa entre a utopia e o nada, como um poço obscuro do qual, quarenta anos mais tarde, a verdade ainda tem que ser descoberta”.

“Subsoil” is a documentary about the interrupted underground work in 1970 below Avenida Paulista, a famous avenue in Sao Paulo, Brazil. In this work, Sonia Guggisberg, the director, search for underground story telling about the unfinished subject, and what it has to tell. The documentary has testimonials from Boris Casoy (mayor’s spokesperson by the time, famous tv journalist today), architect Nadir Mezerani, urbanist Celso Franco, and others. About the documentary, the french anthropologist Jacques Leenhardt wrote: “the idea behind underground urbanism remained suspended between utopia and nothingness, as a dark pit which, forty years later, the truth has yet to be discovered”.

Redesenhos: elevado Costa e Silva | Redrawings | 2013

Filme Documentário 06″05′
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“Redesenhos” parte do princípio de que o conjunto de sons que integram a vida cotidiana apresenta diferentes composições, e estas trazem consigo suas realidades sonoras. Compostas por sons humanos, sons de máquinas e ruídos em geral, apresentam diferentes misturas dentro do território urbano.
Dentro da ideia de vídeo-documento, este trabalho se propõe a pensar sobre a capacidade de um objeto ser portador de uma paisagem visual e sonora, que desmonte estruturas já conhecidas e pesquisadas, possibilitando a abertura de outros formatos. Neste caso, trata-se de experimentar, testar e incorporar a força dos ruídos originais para trabalhar novas proposições de documentação, novas combinações sonoro-visuais atreladas aos movimentos da realidade captada em vídeo.
O que se ouve, neste momento em “Redesenhos”, é o discurso do prefeito Paulo Maluf anunciando o lançamento da maior obra urbanística de todos os tempos, o Elevado Costa e Silva, um grande legado construído e deixado por uma política que não planeja o futuro e não respeita o passado.