Lençol Freático | Water Table | 2008

exposição individual | solo exhibit
Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo, SP
curadoria | curatorship Paula Alzugaray

21 april | 20 june | 2008

Liquid Horizon | Paula Alzugaray
A cycle takes place in the work of Sonia Guggisberg. It is a cycle of water that, having sprung from a water table, flows on, spills, evaporates, and floods the exhibition venue. Most often, this water is created by light—in videos projected onto space—, and it heralds an imminent disappearance resulting from an environmental crisis. Here, both light and water are elements that guide the senses; they are materials of urban actions in a quest to restore collective instances and activate social practices.

Originally conceived as a site-specific for the old Banco do Brasil strong room, the video installation Nascente [Spring] was designed to stimulate a reflection on the relationship between natural springs and financial reserves. Consequently, the projection on the reflecting pool inside the strong room is not merely the image of the fountainhead of one of the world’s largest water tables: the springing water is the image of a type of wealth that is increasingly valued by the world economy, threatened by poor distribution and predatory exploitation.

Stored safely as it is in the strong room, water recovers its condition of life repository and vital power. Guggisberg’s investigation is an exercise of perception that demonstrates just how desertification—this process of environmental regression—also affects social life.

The artist’s interventions and video installations are micropolitical actions that seek the reactivation of such values as affection, belonging, bonding, and heritage. While addressing the environmental crisis as an expanded concept, the artist develops a transversal thought that relates art and life, and she casts beams of light on diverse ways of living on our planet, both in the context of socioenvironmental changes and in the enrichment of life and subjectivity.

Horizonte líquido | Paula Alzugaray
Um ciclo percorre a obra de Sonia Guggisberg. São águas que brotam de um manancial subterrâneo, correm, vazam, evaporam, inundam o espaço expositivo. Quase sempre são águas feitas de luz – vídeos projetados –, anunciando um desaparecimento iminente, provocado por uma crise ambiental. Tanto a luz quanto a água são, aqui, elementos condutores de sentidos; matérias de ações urbanas que buscam a recomposição de instâncias coletivas e a ativação de práticas sociais perdidas.

Concebida como um site specific para o antigo cofre do Banco do Brasil, a videoinstalação “Nascente” propõe uma reflexão sobre a relação entre mananciais naturais e reservas financeiras. Assim, o que é projetado sobre o espelho d’água no interior do cofre não é simplesmente a imagem da nascente de um dos maiores
reservatórios de água doce subterrânea do mundo. A água que brota ali é a imagem de uma riqueza cada vez mais valorizada na economia mundial e ameaçada pela má distribuição, pela exploração predatória.

Conservada no cofre, à água é restituída sua condição de reservatório de vida, de potência vital. A pesquisa de Guggisberg é um exercício de percepção mostrando que a desertificação, esse processo de regressão ecológica que atua sobre o meio ambiente, se alastra também na vida social. Suas intervenções e video instalações são ações micropolíticas que buscam a reativação de valores como afeto, pertencimento, vínculo, memória.

Ao trabalhar a crise ambiental como um conceito ampliado, a artista desenvolve um pensamento transversal que relaciona arte e vida e lança focos de luz sobre as maneiras de viver no planeta: tanto no contexto das mudanças socioambientais como no enriquecimento da vida e da subjetividade.