Subsoil | Subsolo | 2013

exhibitions | exposições

X Bienal de Arquitetura de São Paulo, Centro Cultural São Paulo, SP 2013
curadoria | curatorship Guilherme Wisnik

Avenida Paulista, MASP, São Paulo, SP 2017
curadoria | curatorship Adriano Pedrosa e Tomas Toledo

A dip in the urban space and a desire to understand public neglect to historical ruins, motivated me to develop research on the important interrupted work in the undergrounds of Paulista Avenue. Named as New Paulista and started in 1970, construction was carried out largely in order to maintain the traffic flow. It was about the construction of an underground expressway that would make the connection between large avenues. Old garages debris and huge concrete structures found in the basement of Paulista Avenue, as well as written documents and testimonies, integrated this work, making clear that different forces and sociopolitical interests in conflict culminated in the end of the work in 1973.
In this work, the ruins underground are presented as a historical archive. They oscillate between the symbol of an event and its own end. As a kind of “monument to the past” which future was stolen, the stopped and buried work reflects both the degradation of the ontemporary environment and their political models. Rest of a past, but still persistent today, it is also evidence of a power we could not see or measure. It shows the accumulation of different times where abandonment, from generation to generation, continues leaving only traces of their existence.
In this research, what really matters is to understand that buried and even worn stories do not end, they are stored; They may even be dormant for many years, but at one point they reappear and awaken, reintegrating again in space and time.
The aim of the project was the realization of a video document that could give back to citizens a concealed discourse, presenting relevant issues of São Paulo and a conceptual analysis that not only contextualizes images/passages, but proposes to carry out a kind of visual history of political and social moments that has been relegated to invisibility.
With the title “Subsolo (Underground)”, this video graphic document starts from the hypothesis that rebuilding “truths” from documentary and experimental point of view, means reinventing realities and present strategies in which the network of relationships that guide the researched theme remount to a more complex picture. Subsolo offers the possibility of thinking about the city in its various layers, trying to give visibility to the gaps of this invisible speech.
Paulista Avenue, opened in 1891, was part of one of the urban plans of city growth, and as it was expected, it has become a fundamental and large flow area. The voracious growth and vertical integration process, started in 1952, intensified the movement, and the avenue. Located high above the city, it has become a key road corridor. Each of the old avenue areas, which housed fewer than ten people, started housing hundreds. Thus, in the 1960s, the growing
number of people and, consequently increasing traffic jam, demanded urban solutions in the region, giving rise to the birth of the New Paulista Project. The New Paulista Project consisted of the projection of an underground expressway with 3 km long, connecting Rebouças Avenue to 23 de Maio Avenue. Paulista Avenue would have, below the second floor, the subway passage and on the surface, a boulevard with living areas, squares and only local traffic.

Um mergulho no espaço urbano e um desejo de entender questões do descaso público, pelas ruínas históricas, me motivaram a desenvolver uma pesquisa sobre a importante obra interrompida no subsolo da Avenida Paulista. Denominada como Nova Paulista e iniciada em 1970, a construção foi realizada, em grande parte, com o objetivo de manter a fluidez do trânsito. Tratava-se da construção de uma via expressa subterrânea que faria a conexão entre grandes avenidas. Antigos restos de garagens e enormes estruturas de concreto encontrados no subsolo da Avenida Paulista, assim como documentos e testemunhos gravados, integraram esse trabalho, deixando claro que diferentes forças e interesses sociopolíticos em conflito culminaram, em 1973, no enterro da obra.
Neste trabalho, as ruínas no subsolo apresentam-se como um arquivo histórico. Oscilam entre o símbolo de um acontecimento e seu próprio fim. Como uma espécie de “monumento ao passado” cujo futuro foi roubado, a obra interrompida e enterrada reflete tanto a degradação do ambiente contemporâneo como de seus modelos políticos. Resto de um passado, mas que persiste ainda hoje é também a evidência de uma potência que não conseguimos ver nem medir. Mostra o acúmulo de diferentes tempos onde o abandono continua, de geração em geração, deixando somente os vestígios de sua existência.
O que de fato importa nesta pesquisa é entender que as histórias soterradas e mesmo desgastadas não acabam, ficam guardadas; podem até ficar adormecidas por muitos anos, mas, em certo momento, reaparecem e despertam, reintegrando-se de novo no espaço e no tempo. O objetivo do projeto foi a realização de um vídeo-documento que devolvesse aos cidadãos um discurso ocultado, apresentando questões relevantes da cidade de São Paulo e uma análise conceitual, que não apenas contextualiza imagens/passagens, mas que se propõe a realizar uma espécie de história visual, de momentos político-sociais relegados à invisibilidade.
Com o título Subsolo, este documento videográfico parte da hipótese de que reconstruir “verdades”, do ponto de vista documental e experimental, significa reinventar realidades e apresentar estratégias nas quais a rede de relações que norteiam o tema pesquisado remonte a um panorama mais complexo. Subsolo oferece a possibilidade de pensar a cidade em suas várias camadas, procurando dar visibilidade às lacunas deste discurso invisível.
A Avenida Paulista, inaugurada em 1891, fez parte de um dos planos urbanísticos de crescimento da cidade e, como já era previsto, tornou-se uma região fundamental e de grande fluxo. O crescente número de pessoas e, consequentemente, os congestionamentos, cada vez maiores, demandaram soluções urbanísticas na região, dando origem ao nascimento do Projeto Nova Paulista.
O Projeto Nova Paulista consistia na projeção de uma via expressa subterrânea, com 3 km de extensão, conectando a Avenida Rebouças à Avenida 23 de Maio. A Avenida Paulista teria, abaixo do segundo piso, a passagem do metrô e, na superfície, um bulevar com áreas de convivência, praças e apenas o trânsito local.

With the project developed, in the 1960s large areas were expropriated by the city, foreseeing the completion of the work. The extension of the road from 28 m to 48 m wide included the displacement of water, electricity, sewage and gas networks. For this, huge trenches were dug, and a concrete structure with over a thousand piles, 12 m high and 0.80 m in diameter, was installed, and was part of the passage of the subway. The work, performed in eighty percent, was inaugurated partially in 1971 and in 1973 for political reasons10 explained below, it was interrupted, leaving in the basement a huge “hidden giant” with an almost forbidden access. It was a unique work that would be built in trenches and at the same time, the subway, the expressway and a boulevard on the surface. It had been already predicted a chaotic traffic jam on Paulista Avenue intersections. Nevertheless, in 1973, they decided for the “interruption and burial of the work”11. The final solution, decision of the bionic governor Laudo Natel and the city mayor Miguel Colasuonno, was made with a simple make up on the surface that hid what had been done underground.
Even knowing the importance of constructing the New Paulista, that it would bring a significant impact to the city in terms of movement and growth, that is, beyond the local impact, the work was considered “useless”, “irresponsible”, “a professional vanity of the mayor”, “pharaonic” and “expendable” by councilors, congressmen and some opposition politicians.
“Subsolo (Underground)”,It is a short film, 26 min long. The first stage was a historical research of New Paulista Project, including architectural design and newspapers of the time. Then, a survey of the people involved in the project, in the work, in the political moment, being them architects, urban planners, city spokesman, political journalists etc. It was necessary, at that time, in order to understand the context, a survey of the political situation of the period. After this first stage, the practical steps took place. It was necessary to enter the basements to understand the reality of the place and capture images. It was a long process until we get permits to enter Paulista Avenue basement. The difficulty in getting permits delayed the continuity of the project in approximately 18 months. When our entry underground was finally scheduled, we
sought the support of a team for filming underground. Specific equipment for capturing scenes was necessary. The filming was done with the support of a film production company (Cinema Link), with cameras, lighting, sound recording professionals....

Com o projeto desenvolvido, nos anos 1960, grandes áreas foram desapropriadas pela prefeitura, prevendo a realização da obra. O alargamento da via, de 28 m a 48 m de largura, incluiu o deslocamento das redes de água, luz, esgoto e gás. Para isso, enormes trincheiras foram escavadas, e uma estrutura de concreto, com mais de mil estacas, com 12m de altura e 0,80m de diâmetro, foi instalada, pois integrava a passagem do metrô. A obra, executada em oitenta por cento, foi inaugurada parcialmente em 1971 e, em 1973, por questões políticas, foi interrompida, deixando no subsolo um enorme “gigante escondido” com acesso quase proibido. Era uma obra única que se construiria em trincheiras e, ao mesmo tempo, o metrô, a via expressa e um bulevar na superfície. Já era esperado
Mesmo sabendo da importância da realização da Nova Paulista, que ela traria um impacto significativo para a cidade em termos de circulação e crescimento, ou seja, muito além do impacto local, a obra foi considerada “inútil”, “uma irresponsabilidade”, “uma vaidade profissional do prefeito”, “faraônica” e “dispensável” por vereadores, deputados e alguns políticos da oposição.
O uso do espaço subterrâneo é um modo de ampliar a superfície da cidade, se feito de maneira organizada, constitui uma das formas mais promissoras de crescimento e preservação dos centros antigos. Milhares de quilômetros de redes de água, esgotos, gás, fibra ótica, trens metropolitanos, reservas de água, túneis de manutenção ou mesmo para uso dos meios de transporte, garagens, são instalados no subsolo, e um exército de pessoas trabalham nestas redes diariamente.