Amorfos | Amorphous | 2004

exposição individual | solo exhibition
Galeria Virgílio, São Paulo, SP

09 jun | 03jul | 2004

Virgílio Gallery | Taisa Palhares

The best moments of Sonia Guggisberg´s recent production seem to move towards a crucial turning point, which future´s unfolding not only concerns her trajectory, but also a considerable parcel of artists trajectory as well that in last decade have in several ways dedicated themselves to presenting the organic element or form (as an utopian, destabilising or counterproductive factor) in full post-industrial society. In Guggisberg´s case the issue was not directly approached from materials point of view.
Actually her preference has a recurrence of using industrially produced or reprocessed materials such as felt, rubber, plastic and stainless steel tubes, being the work consisting to produce certain expressiveness from gesture and each one´s specific qualities.
Then occurs that through the artist´s manipulation and/or arrangement of this inert matter amorphous bodies are created. Felt tubes and inflatable balls are endowed with an energy center which supplies form and life. Ultimatelly, organicity becomes present in various ways: in the casual and transient aspects of the works, in sensual dimension of their bodies, in structural’s fragility, in the manifestation of an autonomous interiority.

In comparison to the felt and rubber forms (2000) sweetness and the inflatable balls with stainless steel tubes (2002), this present series of bubbles in transparent plastic, water and aluminum belts presents itself with certain anguish. As if water´s (the only organic element) weight was unbearable. In best works, despite still domesticated, rigid aluminum structures are not capable of removing the plastic mass from their immobility. It would be necessary a much bigger force to restore the vital energy that presently withers from these organic bodies. Even resisting, the interiority becomes growingly introverted and here the organic aspect works, most importantly, as an obstacle to any kind of action. The reified nature is shimmered in these sculptures deployed of any transforming potency, calling into question the very meaning of its form.

Taisa Palhares is PhD in Philosophy (USP - Universidade de São Paulo) and works with aesthetic and visual arts. Researcher and curator at Pinacoteca do Estado de São Paulo from 2003 to 2015, she is now teacher at Philosophy and Humans Sciences department from the UNICAMP – State University of Campinas.

Galeria Virgílio | Taísa Palhares

Os melhores momentos da produção recente de Sonia Guggisberg parecem caminhar para um ponto de inflexão crítica, cujo desdobramento futuro não diz respeito apenas à sua trajetória, mas também aquela de uma parcela considerável de artistas que na última década se ocuparam, de modos diversos, com a presença do elemento ou da forma orgânica (seja como fator utópico, desestabilizador ou contraproducente) em plena sociedade pós-industrial. No caso de Guggisberg, a questão não foi diretamente abordada do ponto de vista dos materiais. Na realidade, sua preferência tem recaído sobre o uso de materiais produzidos ou reprocessados industrialmente como feltro, borracha, plástico e tubos de aço inox; sendo que o trabalho consiste em produzir, as partir das qualidades específicas de cada um e do gesto, uma determinada expressividade. Ocorre então que pela manipulação da artista e/ou arranjo dessa matéria inerte criam-se corpos amorfos. Tubos de feltro e bolas infláveis são dotados de um centro de energia que lhes dá forma e vida. Em última instância, a organicidade se faz presente de várias maneiras: no aspecto casual e transitório dos trabalhos, na dimensão sensual de seus corpos, na fragilidade de sua estruturação, na manifestação de uma interioridade autônoma.

Em comparação a docilidade das formas em feltro e borracha (2000) e dos trabalhos com bolas infláveis com tubos em aço inox (2002), a série atual de bolhas em plástico transparente, água e tubos de alumínio apresenta-se com uma certa angústia. Como se o peso da água – único elemento orgânico – fosse insuportável. Apesar de ainda domesticadas, as estruturas rígidas em alumínio não são capazes, nas melhores obras, de remover a massa de plástico de sua imobilidade. Uma força muito maior seria necessária para restituir a energia vital que agora se esvai desses corpos orgânicos. A interioridade, ainda que resistente, torna-se cada vez mais ensimesmada, e a organicidade funciona, antes de tudo, como entrave a qualquer ação. A natureza reificada, destituída de qualquer potência transformadora, é vislumbrada nessas esculturas, colocando em questão o sentido mesmo de sua forma.

Taisa Palhares tem graduação, mestrado e doutorado em Filosofia pela USP - Universidade de São Paulo (1997 e 2011). Atua nas áreas de estética e artes visuais. Pesquisadora e curadora na Pinacoteca do Estado de São Paulo de 2003 a 2015. Professora no Departamento de Filosofia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).