Contaminações | Contaminations | 2017

Sistemas Ecos 2013
Praça Victor Civita, São Paulo, SP 2013

Contaminações
exposição individual | solo exhibition
Senac Lapa, São Paulo, SP 2017
curadoria | curatorship Sandra Tucci

A research done by the artist Sonia Guggisberg about urban subsoil has resulted in the contamination issue. Apparently hidden, it infilters even when buried and relegated to invisibility, never ending.

Victor Civita Square shows a historical background that leads us to reflect upon contamination. It is a terrain where a municipal incinerator has operated from 1949 to 1989 incinerating approximately 200 tons of waste daily. Litter, bills out of circulation, paper documentation, dead animals, even corpses and military dictatorship period documentation about torture may have been incinerated there. In the 70’s the municipality also started to incinerate hospital waste liberating toxic substances to human health like dioxins and furans, thus bringing a high level of contamination to the neighborhood. Finally, by the end of 80’s the incinerator was deactivated. A report made in 2006 by CETESB (a government pollution control agency) has confirmed the presence of ash and heavy metals in all area soil.

As a result of this extensive research, the artist shows in this exhibition some of her artworks:

The artwork called "Mercúrio (Mercury)" has emerged due to accumulated heavy metals in soil during so many years. Contamination can’t be limited in some specific space; It penetrates in live beings causing diseases and deformations even if diluted and in many times, invisible.
To its accomplishment, a certain amount of liquid mercury was loaded into a wooden educative child game. Starting from this action, the video Jogo Sujo (Foul Play), puzzle’s photos Mercúrio (Mercury) and video Reflexos (Reflections) set shows mercury contaminations breaking into nature.

"Lost Sounds" was planned as a sounds & noises ecology. It brings to audience a sonorous experience about the past, the opportunity of activating memory through sounds, thus reconstructing a possible local history in your own mind. Sound samples represent incinerated remains, buried ashes pursuing the rescue of memories about what happened.

Uma pesquisa sobre o subsolo urbano levou a artista Sonia Guggisberg à questão da contaminação. Esta, aparentemente escondida, se infiltra e mesmo quando soterrada e relegada à invisibilidade nunca termina.

A Praça Victor Civita exibe um histórico que leva à reflexão sobre as contaminações. Trata-se de um terreno onde funcionou o Incinerador Pinheiros. De 1949 a 1989, cerca de 200 toneladas de lixo foram queimadas diariamente em seus “fornos”. O lixo continha desde restos residenciais, papel-moeda fora de circulação e documentos, até animais mortos. Fala-se até sobre a queima de corpos humanos durante a ditadura militar, e também de papéis do DOPS que possam ter sido incinerados ali. Nos anos 70 a cidade passou a fazer a coleta regular de lixo hospitalar e queimá-lo no incinerador. Essa queima, que liberava resíduos perigosos à saúde humana, como as dioxinas e os furanos, trouxe um alto grau de contaminação para o bairro e, no final dos anos 1980, o incinerador foi desativado. Um relatório apresentado pela CETESB sobre o resultado da queima de lixo durante 40 anos confirmou, no ano de 2006, a contaminação com a presença de cinzas e metais pesados no solo de toda a região.

Em função desta extensa pesquisa realizada, a artista apresenta nesta exposição algumas obras:

A obra "Mercúrio" surgiu em função dos metais pesados acumulados no solo ao longo de anos. A contaminação não pode ser confinada em um determinado espaço, pois mesmo diluída e muitas vezes invisível, ela penetra nos seres vivos causando doenças e deformações.
Para a realização deste trabalho, certa quantidade de mercúrio foi colocada dentro de um jogo educativo infantil de madeira. A partir desta ação, o vídeo Jogo Sujo, as fotografias do quebra cabeças Mercúrio e o vídeo Reflexos mostram a contaminação do mercúrio invadindo a natureza.

"Lost Sounds" foi pensado como uma ecologia de sons e ruídos. Traz ao público uma experiência sonora sobre o passado, a oportunidade de ativar a memória através dos sons e reconstruir em sua própria imaginação uma possível história local. Os sons representam os restos do que foi incinerado, das cinzas enterradas, buscando reconstruir a memória do que se passou.